
Mais de um mês passou e cá estou de volta, depois de muito remoer sobre a vida e tentar descobrir se tudo isto vale a pena.
Até agora só consegui chegar a uma conclusão: não vale a pena pensar muito sobre a vida. Quem pensa muito e aprofunda estas matérias, não fica com muito tempo e disposição para vivê-la.
Alegres aqueles que sempre viveram um dia de cada vez, e que nunca aprenderam a viver de outra forma. Ainda não aprendi, mas há esperança.
Perdi o comboio e em vez de correr atrás (sim porque ainda era possível alcançá-lo com uma corrida rápida) sentei-me à espera do próximo. Fiz mal, devia ter apanhado um táxi.
Estava no bom caminho para atingir a boa forma física, aquando do Triatlo, mas depois fui facilitando. Nessa descida, perdi de vista os meus objectivos de participar em mais 2 triatlos este ano. Quando finalmente vi que já ia em absoluta derrapagem, facilitei ainda mais e perdi a motivação para recuperar.
Mas isto é normal, já devia estar acostumada! Pelo menos duas vezes por ano, entro em derrapagem. Costuma ser no final do ano e no Verão, não sei exactamente porque entro neste esquema de auto-sabotagem algumas vezes por ano, mas é assim...
Este ano sei que o que contribuiu ainda mais para isto, foi o facto de não conseguir perder peso, mesmo de depois de me ter esforçado um pouco para isso. Só que eu tivesse conseguido perder 2 kilos, tinha feito toda a diferença. Assim, desta forma, sinto-me pesada demais para correr, tenho até vergonha de ir por aí pelas ruas. Se não for logo às sete da manhã, recuso-me a ir correr.
Tenho exactamente mais 4 kilos do que em Setembro passado, quando nessa altura já eu queria perder 2 kilos. Há quase dez anos que tinha conseguido manter-me entre os 59 e os 62 kgs, mas nunca tinha estado perto dos 65 kgs. É inadmissível este deslize.
Às vezes, parece que a minha felicidade depende da perda destes kilos. Não pretendo ser Miss, nem exibir as curvas na praia num bikini reduzido. Mas não me sinto bem tal como estou, nunca tive este peso, estas dobras na barriga e não gosto. Não me sinto bem, sinto-me mais pesada, mais cansada, menos ágil.
E há que agir para mudar! Mas como ? Não há receitas milagrosas que moldem a mente... Não prometo que vou mudar, mas vou tentar tentando.
Entretanto quero ir a Santo André correr em Julho. Falta pouco tempo, mas parece-me possível. O objectivo a atingir até lá, é perder 2 kilos e conseguir fazer a média de tempo do ano passado.
Já não corro há uma semana. O miúdo tem andado adoentado há uma semana, com tosse e febre. As noites têm sido cansativas, temos andado preocupados e tenho usado isso como desculpa para não me levantar cedo para ir correr.
Não saio de casa desde Sexta. Parece que já tenho teias de aranha nas pernas. Ter o miúdo assim, deixa-me sem vontade para nada, além de cuidar dele e estar com ele.
Amanhã, independentemente de como vai correr a noite, vou dar uma corridinha.
O grupo de corrida que tentei constituir, foi-se diluindo na preguiça e falta de vontade das pessoas. Era só uma vez por semana, mas mesmo assim foram surgindo desculpas para não virem. Semana após semana, fui assistindo a uma diminuição do grupo e no final acabei por aceitar a derrota. Estou sozinha novamente e não pretendo convencer mais ninguém a vir correr comigo.
A corrida não é algo que se imponha. Ou se gosta, ou não se gosta mas aprende-se a gostar, ou simplesmente não se gosta. Prometi a mim mesma que nunca mais vou tentar convencer ninguém de que correr é bom e faz-nos sentir bem. Se não há vontade, isso não é possível.
Até parece que estou desiludida. Talvez um bocadinho triste, mas não desiludida. As pessoas não são iguais e temos de aceitar isso. Nunca criei muitas expectativas, eu sabia que estava a forçar um bocadinho. Elas estavam lá, mas a fazer um esforço extremo. Este projecto não estava destinado a ter futuro.
Bem, agora que já desabafei um bocadinho, fico-me por aqui. Voltarei em breve, quando sentir que as pilhas começaram a recarregar.
Um abraço a todos os corredores que continuam a fazer o esforço diário de conciliar a corrida com as suas vidas e com os blogs. São esses blogs e as suas histórias que me dão alento muitas das vezes.
Boas corridas!