À chegada à Lagoa de Sto. André,
a analisar a linha da Meta e a admirar a paisagem que rodeia a lagoa.
Já passaram quase três dias desde que corri. No sábado passado rumámos até à Lagoa de Sto. André e tudo correu bem.
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Saímos do Algarve fora de horas, por volta das 14h30. Ainda queríamos ir visitar os avós em duas localidades diferentes, em S. Domingos e em Santiago do Cacém. A poucos kilómetros de Sto. André, é verdade, mas as visitas à família querem sempre prolongar-se, ainda por cima, quando temos uma avó querida que fez bolo e pudim e espera que nos sentemos e comamos aquilo tudo, após o almoço. Infelizmente não comi nada, e a visita foi curta. Eram quase 16h quando chegámos a S. Domingos e ainda queríamos ir a Santiago fazer a outra metade das visitas. Mas lá o fizemos, e os velhotes acharem aquilo meio confuso : "Então, e tu sabes correr?", "Ah, mas e depois não te doem as pernas?", "Ah, a Lénia está mais cheinha, está boa!" (Ai, estes elogios até me quebram a alma, mas pelos vistos ter boa perna (?) é sinal de saúde por aqueles lados, que se há-de-fazer?!).
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Bem, partimos para a Lagoa de Sto. André já eram 17h40 , e nós nem fazíamos bem ideia do caminho a tomar e as inscrições eram até às 18h. Mas como todo o drama que não é drama, lá chegámos a tempo e horas. Ao ver aquele frenesim de gente em volta da área do Secretariado, senti um friozinho no estômago. Já há uns meses que não vinha a uma corrida.
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Estava um pouco preocupada, apesar de não me ter doído os joelhos nessa semana, pensava sempre que não ia aguentar a pedalada. E o mais curioso é que ao começar a aquecer, comecei a sentir uma leve dor num joelho. Fiquei logo ali desmoralizada. Mas também pensei: "Que se lixe, agora vou em frente, nem que esta seja a última corrida da minha vida!"
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Ao inscrever-me, ainda perguntei ao senhor que visse se estava uma tal de Ana Pereira inscrita. Mas nada, o computador não registava esse nome. Pensei logo que não ia encontrar caras conhecidas no meio daquele turbilhão de gente. Mas encontrei.
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Perto da linha de partida, olhei para o lado e vi a aquecer uma rapariga muito elegante, que logo reconheci. Era a Ana Paula Pinto. Cumprimentei-a e ainda trocámos algumas palavras. Muito simpática, claro.
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Na linha de partida, encontrei a meu lado o Eduardo Santos e outros elementos da equipa O Mundo da Corrida, inclusive a Alice Roma. Ainda reconheci a cabeça do Zé Magro, vi o Rui Lacerda e ao longe o António Pinho.
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Ao longe, da linha de partida, via-se a rotunda que ficava a meio de uma subida que se prolongava por cerca de 1 km. Pensei cá para mim que seria uma sorte aguentar até àquela rotunda...
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Pum! E partimos pela estrada fora e pelos passeios fora. Éramos muitos, cerca de 500 atletas.
Fui devagarinho, e animada fui pela conversa dos meus companheiros de estrada. Quando reparei já estava praticamente em cima da rotunda, com o meu pai a correr a meu lado a perguntar-me se me doía alguma coisa. A resposta foi negativa. Sentia-me bem até àquele momento.
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Continuei alerta, a controlar o ritmo. Cerca do quarto km, vejo os atletas a fazer o caminho de retorno. Começo então a animar as caras conhecidas: o Eduardo, o Helder, o António P., o Zé Magro, a Eliana, a Ana Paula... Por esta altura, sinto-me óptima e vejo que, provavelmente, não há perigo. Sinto correr em mim, um fio de adrenalina pelo meu corpo e apresso a passada. Em poucos minutos já estou a descer até ao ponto de retorno, e sinto-me bem. Ao fazer a subida que indicava o caminho de volta, sinto-me óptima. Ainda pensei em refrear a passada, mas para quê?! Sentia-me capaz de fazer mais, mesmo com o vento a pressionar-nos de frente.
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Lá fui. Passei por algumas caras conhecidas e cruzei-me com outros com quem tinha iniciado esta corrida. O resto da corrida foi perfeita. Senti-me liberta, como se me tivessem tirado as amarras. Na descida que antecedia a meta, receei pelos meus joelhos, mas fiz o que me apetecia e mandei tudo às urtigas.
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Foi uma corrida feliz, pouco sofrida e muito fresca. Para o ano lá estarei, se Deus quiser.
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No final, tive oportunidade de me encontrar com outros companheiros, nomedamente, o Victor Silva, o Rui Lacerda, o Zé Magro e o Ventura Saraiva.
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Depois do esforço, a festa. A junta de freguesia está de parabéns pelo jantar. Houve comida para todos, atletas, família e povo, em geral. Cada um serviu-se de peixe, carne, pão, batatas fritas, fruta e bebidas. O meu pai e marido assaram as sardinhas.
Apesar da poeira e do frio que se instalou com o cair da noite, passámos ali um bom bocado com um pequeno baile e pessoas animadas, e além disso, as sardinhas estavam gordas. A pele até saltava. Tirei algumas fotos da festa, e houve até quem pensasse que eu era a fotógrafa de serviço, dispostos até a pagar!Ainda pensei em dar-lhes um orçamento...:-)
Bem, e assim foi esta experiência de correr em terras do Alentejo.
Já descansei domingo e segunda, hoje volto à estrada, para mais uns kilometritos.
Até à próxima, companheiros...
Bons treinos!











