
Mais uma edição de uma prova que acompanho há 12 anos. Apenas nos últimos 3 anos tenho participado assiduamente, mas de facto pouco mudou e ainda bem. A organização nunca deixa pontas soltas, nunca encontro nada a apontar. Tudo corre sob perfeição, só as pernas é que não deslizam tão perfeitas, mas tenta-se que a máquina reaja.
Hoje partimos às 11 horas, sob um calor que acusava os 22- 23 ºC, no mínimo.
Esta corrida tem uma particularidade muito interessante, que talvez muitos não conheçam. Todos os anos o percurso varia, ora na direcção Vila Real - Ayamonte, ora o inverso, dado que se trata de um esforço conjunto entre a parte espanhola e a portuguesa.
E assim é. Ligamos dois países, duas culturas numa corrida a pé. E é engraçado que ao atravessar a ponte, o público e os elementos da organização pertencem à nacionalidade do território que pisamos e aí sentimos uma mudança na sua atitude e comportamento. No lado espanhol, temos palmas, gritos de força e palavras de ânimo, no lado português temos espectadores muito observadores e alguns indignados, por ali estarem contra a sua vontade dentro das suas viaturas, à espera que a procissão passe por definitivo.
São diferenças engraçadas, que todos os anos podemos constatar. No lado português somos nós que puxamos pelo público e no lado espanhol é o público a puxar por nós. Tudo bem, é assim mesmo...somos pacatos, na nossa maioria, não há mal nisso...
Este ano, partimos de Vila Real em direcção a Ayamonte. Logo de início vi muita gente cheia de pressa de chegar à frente. Muitos me passaram, mas 3 kms depois já traziam o passo mais ligeiro, quando por eles passava. Às vezes, há que conhecer o terreno, antes de nos atirarmos a ele.
Mesmo indo com calma, sempre no mesmo ritmo (5'30/ km), admito que hoje sofri mais do que outra coisa. Passei ali um bom bocado antes de chegar à subida de Ayamonte, a mentalizar-me e a crucificar-me de que aquilo seria difícil, bem...e foi. Admito que ia em mim um sentimento de derrota enquanto subia aqueles escassos metros a subir. É tudo psicológico, de verdade!
A subida não é longa, eu é que na verdade estou mal preparada. Há dois anos fiz aquilo de outra forma, cheguei ali, liguei o turbo e foi canja!
Bem, mas cheguei ao fim. E em grande parte do percurso, tive a sorte de ter dois camaradas, o Sr. Cabral e o Sr. António P. Infelizmente, não lhes dei muita conversa, ia muito concentrada a pensar na famosa subida...
Cheguei com 1h29', sob um belíssimo dia de quase Verão (o tempo anda tão estranho, não é?).
Algum tempo para confraternizar, beber qualquer coisa, e partimos para almoçar a caminho de casa.
Ao chegar ao restaurante, não sei o que me deu. Bem...saber, até sei, porque já aconteceu antes.
Os sintomas são sensação de fraqueza, ao ponto de não me conseguir movimentar, calor forte seguido de suores (suei mais ali do que em toda a corrida) e quase que perdia os sentidos. Passei por isso duas vezes, até começar a sentir-me melhor.
Não entendo, tomei o p. almoço, comi uma banana e bebi um sumo e água depois da prova, e só uma hora depois é que isto me acontece? Já é a 3.ª vez que acontece. Aconteceu há 3 anos depois da meia de Lisboa (tb 1 hora depois, aproximadamente) e o ano passado, uma ou duas horas depois de correr os 11 kms em Mte Gordo. Estranho, não é? O único ponto em comum que estas 3 situações têm é o facto de não estar na minha melhor forma física. De certeza que é só isso.
Mas não gosto, é uma sensação estranha, parece que vou desta para melhor, é pior do que passar por uma intoxicação alimentar, mas é parecido.
O importante é que consegui ultrapassar o meu objectivo. Para o ano, lá estarei!
Agora é descansar bem, e ver como ficaram os meus joelhitos, para começar a trabalhar para a meia-maratona (a de Lagos ou a de Sevilha). Vamos ver!
Boas corridas para todos!
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